21 junho 2015

Cerveja em Sydney


A cidade de Sydney está longe de ter grande tradição cervejeira, mas já não é difícil encontrar boas geladas por lá. Estive por lá alguns dias no mês de maio deste ano, e é claro que sai na busca de bons rótulos. Abaixo, segue meu roteiro que pode ser feito em apenas dois dias dedicados à boa cerveja na cidade de Sydney.Além disso, encontra-se facilmente a agradável Little Creatures (minha predileta na terra dos cangurus) em bares e restaurantes.
Redoak Boutique Beer Café
Um brewpub localizado no centro financeiro de Sydney. São inúmeras opções de boas cervejas ali produzidas, com um saboroso menu que oferece dicas de harmonizações. 201 Clarence St
Ales no Redoak
4 Pines - Muito bom!
4 Pines Brewing Company
Excelente Brewpub/cervejaria em Manly. Para mim, as melhores cervejas de Sydney. Além disso, ótimo cardápio, com bons pratos e petiscos. Não deixe de provar o Fish and Chips. 29/43-45 East Esplanade, Manly
4 Pines

Fachada da Lord Nelson
The Lord Nelson Brewery Hotel
Fica no bairro “The Rocks”, perto do Opera House e da ponte. Antes que você pense que se trata de um hotel, muitos bares de Sydney tem o nome de hotel (não sei por que). As cervejas variam entre boas e algumas que podem melhorar. Porém, vale a visita. 19 Kent St, The Rocks

Young Henry’s
Cervejaria perto de Newtown, que tem um tasting room e um pequeno bar. Produz cervejas de linha e algumas sazonais. Além disso, produz gin. Fecha cedo! 76 Wilford Street, Newtown. 2042

29 abril 2015

Brooklyn Brewery


A cervejaria americana Brooklyn Brewery me chamou a atenção lá no começo dos anos 2000, quando começou o meu interesse pelas boas cervejas. Seu mestre cervejeiro Garrett Oliver, que para mim é o “Papa” das harmonizações entre cervejas e comida, foi quem fez com que essa cervejaria logo se tornasse uma de minhas prediletas, assim como o seu trabalho com as combinações de cervejas e gastronomia.
Acompanhei de perto a chegada da Brooklyn ao Brasil, pelas mãos da importadora Beer Maniacs. E neste período (na verdade, um ou dois anos antes), tive a chance de conhecer Garrett Oliver pessoalmente, e encontrá-lo em pelo menos quatro visitas suas ao país.
Nova brassagem
Meu currículo cervejeiro tinha uma lacuna: faltava conhecer a fábrica da Brooklyn, localizada no bairro homônimo, na cidade de Nova Iorque. Em março deste ano finalmente visitei a cervejaria que começou suas atividades em 1988 com as primeiras caixas de cerveja entregues. Em 1994 Garrett chega a empresa como mestre cervejeiro e em 1996 fica pronto o prédio onde hoje está uma das fábricas e o escritório central, local onde minha visita aconteceu.
Barris que armazenam cervejas espetaculares!
Eu e mais quatro amigos brasileiros chegamos ao bairro do Brooklyn de trem. Uma breve caminhada da estação até a cervejaria nos mostra uma vizinhança vintage, num local cheio de bares e restaurantes descolados e com ótima gastronomia. Um lugar realmente agradável. Chegamos no horário combinado com Garrett, que nos recebeu e conduziu uma bela visita. Conhecemos todo o processo de produção, uma das salas de barris (existe outra próxima dali com mais de 2 mil barris!) e ao final, fizemos uma bela degustação. Algumas das Ghost Bottles – garrafas de experiências cervejeiras de Oliver que não são comercializadas- foram abertas, além das cervejas de linha da Brooklyn. Ao final, fizemos boas compras na loja de souvenirs, que tem uma coisa mais legal que a outra. Que tarde sensacional! Que experiência cervejeira! Ah, e como é bom poder voltar de transporte público após uma visita como essa! :-)
Uma honra ser servido por Garrett Oliver!  





Bar da fábrica


29 dezembro 2014

As Melhores Cervejas de 2014


Pelo nono ano consecutivo publico aqui a minha lista das melhores produções nacionais. Não necessariamente foram lançadas em 2014, mas são cervejas que de alguma forma me impressionaram nesse ano. Minhas eleitas de 2014 são:
Morada Hop Arábica
Cervejas com café normalmente são escuras. A Morada Cia Etílica criou uma Blond Ale deliciosamente lupulada com adição de café fresco coado, feita em parceria com a Lucca Cafés. O café surpreende na receita, combinando muito bem com o lúpulo. Belíssima cerveja!
Tupiniquim Monjolo
Belíssima Imperial Porter com 10,5% de álcool, cremosa, notas de chocolate, café e caramelo.
Wäls Session IPA
Refrescante, incrivelmente aromática, amargor bem agradável e altíssimo drinkability. Eu poderia passar horas bebendo dela!
Way Brett IPA
Provei essa delícia no Festival Brasileiro da Cerveja. É uma feliz combinação de Brettanomyces com lúpulos, resultando em uma cerveja única e que mostra o pioneirismo da cervejaria curitibana Way.

06 dezembro 2014

Cerveja em San Diego - Um roteiro de 3 dias


A bela fábrica da Ballast Point
A cidade de San Diego, na Califórnia, tem a maior concentração de cervejarias dos Estados Unidos. Em novembro de 2014 eram 97 cervejarias ou brewpubs registrados na área que compreende o county de San Diego, o que faz com que muitos considerem a região a capital da cerveja artesanal no país.
Vim para cá conhecer de perto a cena cervejeira da cidade. Foram 3 dias intensos, cheios de boas cervejas e boa gastronomia. Esse é o meu roteiro, que vai te ajudar a ir direto ao ponto no que há de melhor por aqui.
Tasting na Coronado

Dia 1
Após o café da manhã, rume para Ballast Point (9045 Carroll way). O Tasting Room abre às 11hs, e de lá da pra ver a bela nova fábrica da cervejaria – aberta a cerca de 7 meses- e provar diversas versões on tap. A deliciosa IPA Sculpin, considerada uma das melhores dos EUA, aparece por lá em versões com grapefruit e pimenta habanero, além da clássica. Na saída, deixe alguns dólares na loja de souveniers, que vende coisas incríveis. Rume para o High Dive (1801 Morena Blvd) e lá prove um gostoso hambúrguer e se divirta com as 20 torneiras de chope alem do descolado ambiente. Fica ao lado da Coronado (1205 Knoxville st), sua próxima parada. O tasting room dá vista para fábrica, e enquanto você bebe alguns copos, fica apreciando o dia-a-dia da cervejaria. Vale provar a Islander IPA e algumas das versões envelhecidas em barris ali mesmo. Outra loja de souvenirs vai lhe tomar alguns dolares! Ainda resta fôlego? Rume para o Stone Brewing World Bistro & Gardens (2816 Historic Decatur Rd #116‎), um belo restaurante e microcervejaria da Stone. Lá, alem de comer muitíssimo bem (fui de costelinhas de porco picantes, ceviche, tabua de queijos e moules) você vai provar cervejas exclusivas preparadas ali. Uma das que vai me agradou foi a Smoked IPA. Hora de descansar para o dia seguinte. 
Green Flash e alguns de seus barris

Dia 2
Aproveite a manhã para caminhar na bela praia de La Jolla e queimar a cerveja consumida no dia anterior. De lá rume para Downtown, para iniciar as compras e a rota cervejeira/gastronômica. A primeira parada é na Krisp (1036 7th Ave), liquor store que vende muitas artesanais locais, além de abrigar um home brew shop cheio de bons ingredientes e equipamentos. Isso sem falar nos destilados e itens para coquetelaria. Ali ao lado está o brewpub Beer Co. (602 Broadway). Algumas boas produções locais vão te acalmar antes de chegar ao Crab Hut (1007 5th Ave #101), onde você vai almoçar ótimos caranguejos, lagostas e frutos do mar de uma maneira bem despojada (eles vem em sacos plásticos servidos sobre a mesa e come-se com as mãos), porém muito saborosa. Claro, boas cervejas fazem parte do menu. Hora de partir em direção ao tasting room da Societe Brewing Company (8262 Clairemont Mesa Blvd). A cervejaria fica escondida em meio a galpões industriais, e vale muito a visita. A IPA The Pupil (7,5%, corpo leve, notas frutadas lembrando manga e bom amargor) foi uma das que mais me agradou na viagem. Da sala de degustação também se tem vista para cervejaria. Segue o jogo! Agora é hora de rumar para AleSmith (9366 Cabot dr), e degustar boas cervejas com alma européia e influência americana. No tasting room se tem vista para a fábrica, e a degustação pode ser feira em pequenos copos (tasters) de 2 dólares em média. Curti bastante a Wee Heavy e a SpeedWay Stout. Aproveite alguns copos ali antes de seguir para Green Flash (6550 Mira Mesa Blvd), que abre seu tasting room às 15h, e normalmente tem um Food Truck atendendo os apreciadores de suas boas cervejas. Vale ver a agenda no site da cervejaria. Uma gama incrível de IPAs é a pedida por ali. Desde a já clássica West Coast IPA (que hoje representa 50% das vendas da cervejaria, segundo informação que recebi em minha visita) até novidades como Mosaic Session (4,5%, 65 IBU, apenas lúpulo Mosaic) e a Soul Style (6,5%, 75 IBU, lúpulos Simcoe, Citra e Cascade), minhas prediletas no dia da visita. Uma bela loja de souvenirs é parada obrigatória! Por aqui termina o segundo dia. 
Tasting Room e fábrica da Lost Abbey/Port Brewing

Dia 3
Hoje é dia de alçar vôos mais longos, indo até as cervejarias um pouco mais distantes. Que tal começar o dia conhecendo a Marina de San Diego e a Mission Bay? Depois disso, logo às 12h abre o tasting room da Acoustic Ales (1795 Hancock St). Por 10 dólares você escolhe quatro dentre as produções locais. Hora de pegar a estrada e seguir para San Marcos, onde estão duas das visitas. A primeira delas é a Lost Abbey/Port Brewing (155 Mata Way #104, San Marcos), onde você pode provar as criações de alma belga da Lost Abbey ou as com veia americana da Port Brewing. Eu curti muito a Mango IPA! Depois siga para Rip Current Brewing (1325 Grand Ave #100, San Marcos) e aproveite mais alguns goles. A próxima parada é na cidade de Escondido, para conhecer a fábrica da Stone (1999 Citracado Pkwy, Escondido) e seu belo restaurante/tasting romm. Sobre essa visita, eu conto mais detalhes aqui. Na volta, termine o dia no Pizza Port de de Ocean Beach (1956, Bacon St, San Diego), provando boas cervejas preparadas ali mesmo e uma tradicional pizza pan americana. Hora de rumar pra casa, cheio de boas cervejas na memória e talvez na bagagem!
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Se você ainda não tem planos para essa viagem (duvido que já não está fazendo as contas para adequar o orçamento para essa bela rota cervejeira), pode ir aproveitando algumas dessas cervejas que são importadas para o Brasil. Ballast Point e Coronado são trazidas pela Bier Wein, enquanto Green Flash chega via Buena Beer
Mais imagens:
Tasting Acoustic Ales




Fábrica Ballast Point


Tasting Room Ballast Point




Fachada Beer Co.


Fábrica Coronado




The Crab Hut


Tasting na Green Flash


Tasting Room Green Flash


High Dive




Truck da Rip Current


Societe - Tasting Room e fábrica


Bar Stone


Costelinhas de Porco na Stone

30 novembro 2014

Stone Enjoy By 12.26.14 IPA


O lúpulo perde com o tempo. Bastante sensível, esse ingrediente ícone da cerveja tem suas características sensoriais diminuídas com o envelhecimento, perdendo em aroma e até em amargor. Sabendo disso, a cervejaria californiana Stone lançou a Enjoy By IPA, uma potente IPA que deve ser consumida em no máximo 35 dias, a fim de manter o lúpulo no auge de sua performance.
A data limite vem estampada no rótulo. Degustei a que teria vencimento em 26 de dezembro deste ano com apenas 8 dias de sua produção. Que cerveja incrível! Uma Double IPA com 9,4% de força alcoólica, base maltada com caramelo e dulçor presentes, perfeita para enfrentar a potência do lúpulo empregada nessa bela cerveja. Cítrico, resinoso, floral – tudo muito limo e fresco – são bem evidentes no aroma. O amargor é potente e muito bem inserido. Que cerveja!

19 novembro 2014

Harmonizações Perfeitas: Spaghettino com lagosta e St Feuillien Grand Cru


Pode parecer uma receita complicada, mas é fácil de fazer e rende uma bela harmonização. A lagosta tem sabor delicado, levemente doce e com notas de maresia. É uma carne bastante saborosa. Escolhi a St Feuillien Grand Cru que apresenta notas também adocicadas – harmonizam bem com a carne-, condimentadas, as quais combinam bem com o molho de tomates e manjericão, e força alcoólica mais intensa (9,5%), que fazem frente à explosão de sabores do prato, mas não sobrepõe sua delicadeza. Uma harmonização fantástica, cheia de sabor!
Ingredientes
250g de Spaghettino
4 tomates italianos sem pele e semente, cortados em cubos
100g de cebola finamente picada
2 dentes de alho finamente picados
100ml de vinho branco seco
4 caudas de lagosta
50g de manteiga
100ml de azeite de oliva extra
1/4 pimenta dedo-de-moca sem semente picada finamente
Sal e pimenta-do-reino moída na hora
Folhas de manjericão
Preparo
Cozinhe as caudas de lagosta em água fervente com um pouco de sal por 7 minutos. Separe a carne de duas delas e corte em cubos médios. As outras duas reserve para decoração do prato. Em uma frigideira funda, refogue a cebola e o alho na manteiga e azeite. Acrescente os cubos de lagosta, o tomate em cubos, dedo-de-moca e o manjericão, finalizando com o vinho.  Deixe reduzir e acerte sal e pimenta. Aqueça as lagostas para decoração em uma frigideira com um fio de azeite. Acerte sal e pimenta. Misture a massa cozida al dente ao molho e decore com as lagostas. Bom apetite!
Rende 2 pratos

29 setembro 2014

Westmalle Extra


Muitas dos monastério trapistas produtores de cervejas tem rótulos de menor intensidade alcoólica destinado ao consumo dos próprios monges e também dos trabalhadores do local. É o caso de Westmalle, que produz a Extra apenas duas vezes ao ano para atender a essa demanda. Consegui uma garrafa desta rara Blond Ale com 4,8% de álcool. Seu aroma de cara já mostra a famosa levedura do monastério, com notas cítricas, condimentadas e frutadas, estas lembrando maçã a uva branca. No paladar ela mostra corpo baixo, notas maltadas que trazem um doce inicial, frutado, condimentado e agradável amargor do lúpulo. O final é seco. Boa cerveja, diferente de todas as outras trapistas.  

23 setembro 2014

Electra Vienna Lager


A idéia de fazer uma cerveja para o Aconchego Carioca vinha desde a inauguração da operação de São Paulo. Afinal, além da ótima cozinha, a história do Aconchego está recheada de boas cervejas. Nada mais justo do que ter o próprio rótulo, ainda mais após minha entrada na sociedade, o que trazia um pouco mais de cerveja para essa história. De cara conversamos com nosso amigo Alexandre Bazzo, da premiada cervejaria Bamberg. Ele topou! Escolhemos o estilo, Vienna Lager, com a intenção de resgatar a receita em sua origem. O nome Electra surgiu na mesa do bar, após algumas cervejas, petiscos e muita risada, como pede um bom clima de boteco. Além de ser uma homenagem ao clássico avião que percorreu por anos a ponte área Rio-SP, ele de alguma forma remetia ao caminho que o Aconchego traçou. A arte do rótulo, criada por André Clemente, grande artista e nosso sócio, deu um charme ainda maior para a cerveja.
Neste mês ela ficou pronta. Ficou uma delícia! No aroma, notas florais de lúpulo aparecem sutis, escoltadas por malte que lembra toffee, biscoito, castanha e frutas secas. Na boca as notas do aroma se repetem, com final seco seguido de um agradável amargor. É perfeita para acompanhar os bolinhos de feijoada e virado à paulista da Katita. Cabe lembrar, que como em um bom botequim, ela é servida em copo americano. Saúde!

17 setembro 2014

Abadia Notre Dame Saint-Remy: Conheça por dentro as instalações do monastério que produz a trapista Rochefort.



Em três oportunidades eu já havia chegado à frente da Abadia Notre Dame Saint-Remy, onde são produzidas as cervejas trapistas Rochefort. Aqui e aqui eu relato duas dessas visitas. Já havia visitado a igreja e as instalações que são abertas ao público. Porém, nunca tinha conseguido conhecer a cervejaria, já que o monastério é um dos mais reclusos dentre os trapistas. Nesta minha última viagem à Bélgica, junto com os importadores da Rochefort para o Brasil (Buena Beer), finalmente consegui conhecer a cervejaria. E que cervejaria! Com uma bela cozinha em cobre, as instalações funcionam desde os anos 1950, após a 2a Guerra Mundial, e é uma das mais belas que já vi. Conhecemos também as passagens subterrâneas que levam à moderna envasadora. Ao final, brindamos com muitas Rochefort nos jardins da Abadia Notre Dame Saint-Remy. Que dia, para jamais esquecer! Seguem as fotos para matar a curiosidade. 
A bela sala de brassagem

Painel de controle dos anos 50

Algumas garrafas antigas

Os túneis subterrâneos

Sala de envase -equipamento de ponta


área de reclusão dos monges



Uma cervejinha nos jardins do monastério