31 Janeiro 2009

Harmonização de Cervejas e Queijos - Intervinos - RJ

No último dia 26 de janeiro o Intervinos Vinhos e Bistrô realizou um evento pioneiro sobre a harmonização de cervejas e queijos na cidade do Rio de Janeiro. Comandado pelos irmãos Álvaro e Pedro Borgerth, o Intervinos é um restaurante gourmet recém-inaugurado em São Conrado, que, como o nome sugere, possui ampla carta de vinhos. Dispõe também de expressivo portfólio de cervejas especiais de microcervejarias brasileiras, além de várias importadas.

As apresentações foram conduzidas por Mônica Pessoa, presidente da Associação Brasileira dos Degustadores de Queijo - ABDQ, há 25 anos atuando no segmento de queijos finos; Sergio Fraga, sócio da Cervejaria Fraga, cervejeiro artesanal e sócio-fundador da Associação dos Cervejeiros Artesanais Cariocas - ACervA Carioca e Luiz Guilherme Belmonte, o “LG”, zitólogo, dedicado ao estudo de cervejas desde 1985, cervejeiro artesanal e co-fundador da ACervA Carioca.

O evento foi restrito a convidados nesta sua primeira realização, e eu tive o prazer de fazer parte desta lista.

Após o brinde inicial com a belga Hoegaarden, a palestra começou abordando conceitos de harmonização, bê-á-bá da cerveja, queijos, e, claro, harmonizando bons exemplares de queijos nacionais com algumas cervejas.



O primeiro queijo apresentado foi o Feta, degustado junto com a alemã Franziscaner Kristall-Weiss. O Feta, que apresenta grande índice de gordura e sabor levemente acentuado, neste caso estava suave, combinando perfeitamente com a cerveja.

A seguir provamos o Asiago, um queijo de origem italiana, de textura mole e sabor adocicado. A primeira opção foi degustá-lo unto com a brasileira Eisenbahn Dunkel, e depois com a inglesa Newcastlle. Em ambos os casos achei que a cerveja de sobrepôs aos queijos, porém, nada demasiado.

Já com o Pecorino, um semi-curado de ovelha, também provado junto com as duas cervejas anteriores, o resultado foi muito bom. Houve um interessante equilíbrio de forças, permitindo que todos os sabores fossem bem compreendidos.

Seguimos com o Pyramide, queijo de cabra coberto por uma cinza chamada de Cendrè, com sabor intenso e prolongado. Junto com ele, um gorgonzola, queijo de mofo azul. Para harmonizar, a inglesa Fuller`s Golden Pride a a mineira Falke Ouro Preto. Com o Pyramide ambas perderam um pouco pela força do queijo. Já com o gorgonzola, ambas me fizeram acreditar que ali estava a melhor harmonização da noite!

A última rodada de queijos e cervejas teve a inglesa Strong Suffolk e a alemã Paulaner Salvator harmonizando com os queijos Brie e Camembleu. Este último, um queijo híbrido de mofo branco com mofo azul, figura dentre os meus prediletos. Ambas harmonizações foram prazeirosas, mas meu gosto pessoal não pode deixar de inclinar para a ótima Strong Suffolk com o Camembleu.


Acreditando que a bela noite gastronômica já havia chegado ao final, fui surpreendido com duas maravilhosas surpresas. A primeira delas, um queijo gorgonzola “maturado” por Mônica Pessoa em sua própria geladeira, me fez enxergar um novo propósito para a gaveta de frutas da minha. O resultado é divino! O gorgonzola adquiriu textura cremosa, com grânulos de sais, sabor apurado e marcante. A cerveja escolhida para harmonizar foi a La Trappe Quadruppel, que desenpenhou perfeitamente este trabalho. Finalizando a noite, uma harmonização de uma ótima mousse de chocolate com a premiada Colorado Demoiselle. Excelente!

O Intervinos contou ainda com o apoio da Balkonn Soluções em A&B, representante de importadoras e distribuidora de cervejas especiais, sediada no Rio de Janeiro.

20 Janeiro 2009

As Empoeiradas : Degustação Vertical Unibroue



Edições da Unibroue 15 e da 16 estavam guardadas nas adegas Passarelli e Bob, a dois e um ano, respectivamente. Assim que recebi a Unibroue 17, recém aportada no Brasil, tratei de armar com o amigo uma degustação vertical.

As Unibroue comemorativas de aniversário sempre são batizadas com o número de anos completados. A primeira delas foi a 10. Os anos 12, 13 e 14, não me perguntem por que, não tiveram edições de celebração. No Brasil elas passaram a chegar na edição 15. Até hoje as receitas foram de Belgian Strong Ale, variando a composição de maltes e lúpulos, mas sempre com a marcante levedura da microcervejaria canadense.

Neste último domingo aconteceu a degustação, que, além de nós, teve as ilustres presenças de André Clemente (Prazeres da Mesa) e Ana Carolina Oda (Beer Sommelière da Melograno). As três edições apresentavam teor alcoólico de 10%, refermentadas na garrafa e foram degustadas na mesma temperatura.

Por razões óbvias a primeira a ser degustada foi a 15. Com uma coloração dourada, turva, boa formação e média manutenção de espuma, a cerveja me lembrou frutas secas no aroma, com álcool destacado. Para o Bob, ela também se destacou no álcool, tanto em aroma quanto no paladar. A cerveja estava licorosa, apresentando baixa carbonatação, toques frutados, picantes e adocicados.


Seguimos com a 16, uma cerveja de coloração âmbar, também turva, com boa formação e duração de espuma. Desta vez foi Clemente quem alertou para a forte presença de álcool, que apesar de menor que na 15, também de destacou. Achei-a mais equilibrada que a primeira, mesmo concordando com esse álcool em excesso. Caramelo e frutas secas (ameixa, passas, figo) aparecem tanto no nariz quanto na boca.

Uma pausa antes da ultima cerveja da tarde para checar a 15, que neste momento já havia esquentado no copo. O Bob nos alertou para o interessante aroma de mel, que neste momento se destacava na cerveja.

Para finalizar, a Unibroue 17. A mais escura das três, com coloração amarronzada, também turva, com boa formação e duração de espuma, ela decepcionou. Como naquele momento já pensávamos que as cervejas não tinham estrutura para um bom envelhecimento (até por que já havíamos provado-as jovens), imaginamos que a nova safra estaria à altura das outras duas, boas cervejas quando provadas perto da data de fabricação, o que seria este caso. O primeiro a alertar para um aroma indesejado foi o André, que percebeu coco. Logo Bob lembrou: este aroma é típico de autólise. Percebi toques de vinho e madeira na cerveja, chocolate intenso, aliados à boa presença de malte e um frutado que remetia a frutas escuras. Carolina também destacou a presença de chocolate, e notou a presença de aromas semelhantes à casca de queijo brie.

Foi consenso geral que a 16 estava melhor dentre as três. Como sabemos que as cervejas podem ter sofrido especificamente nas garrafas por nós degustadas, logo mais podemos refazer a degustação, mesmo por que ainda possuímos outros exemplares, de origem diferente dos degustados.

  

As empoeiradas é uma seção do blog onde degusto cervejas de minha adega, que eu mesmo deixei envelhecer ou já comprei envelhecidas. 

14 Janeiro 2009

Mapa da Cerveja no Brasil


Exibir mapa ampliado

Com o intuito de fomentar e incentivar o consumo de cervejas especiais no Brasil, resolvi criar este mapa. Nele, figuram cervejarias, bares e lojas, sempre relacionados a cervejas especiais. É claro que ainda faltam muitos dados, como bares, microcervejarias, etc. Vou atualizando sempre e conto com vocês, leitores, para agregar mais informações ao “Mapa da Cerveja no Brasil”. Basta deixar um comentário aqui ou me enviar um e-mail.

12 Janeiro 2009

Santa mala dos Amigos : Budweiser American Ale

Um dos últimos lançamentos antes da aquisição da Anheuser-Busch pela Inbev, a Budweiser American Ale é a primeira ale com a marca Budweiser produzida pela empresa. A cerveja usa maltes caramelados e passa por dry-hopping com o lúpulo americano Cascade. Bastante aromática, no paladar a cerveja é mais suave, não trazendo o sabor esperado diante do aroma. Mesmo assim é uma boa cerveja, com bom drinkability e paladar agradável.

Budweiser American Ale
5,1% ABV

Aparência: Vermelha, límpida, boa formação e duração de espuma.
Aroma: Malte, toffee, lúpulo, cítrico.
Paladar: Malte, doce, caramelo, leve amargor.

07 Janeiro 2009

Half & Half


O hábito de misturar cervejas claras e escuras dentro do mesmo copo já passa de mais de 1100 anos. Documentos do século IX contam que os Vikings, por exemplo, já o faziam.

O termo “Black and Tan”, em português, “negro e bronzeado” é usado para uma clássica combinação entre Guinness e Bass Ale. Quando a mistura acontece entre Guinness e Harp, como nas fotos, o nome usado é “Half & Half”, ou simplesmente, meio a meio.

Existem dois grandes segredos para que as cervejas não se misturem e o efeito saia como desejado. Primeiro, a Guinness, com densidade menor que a maioria das cervejas, deve ser colocada por cima. E é justamente no ato de colocar a Guinness que entra o outro segredo. Deve ser usada uma colher com a parte côncava para baixo, despejando a cerveja suavemente por cima dela, como nas imagens das fotos. Existe uma colher própria da marca Guinness (foto acima) para tal, mas uma colher de sopa resolve o assunto.

Veja o passo a passo de como preparar o Half & Half.

Sirva meio copo com Harp.

Adicione Guinness lentamente, sobre a colher.


Half & Half. Ok, nem tão Half assim...rs

01 Janeiro 2009

Westvleteren 12º

Assim como fiz no inicio de 2008, inicio 2009 com uma bela cerveja. Esta é talvez a mais cobiçada cerveja no mundo, e por isso a escolha para brindar com vocês, caros leitores.

A Westvleteren 12, de tampa amarela, é a mais alcoólica e saborosa das três cervejas produzidas pela Abadia de Saint Sixtus of Westvleteren. Sua complexidade é incrível, despertando no sortudo degustador inúmeras sensações, olfativas, de paladar e mentais. A degustação merece ser longa e certamente proporcionará muito prazer.

Feliz 2009!

Westvleteren 12º
10,2% ABV

Aparência: Marrom escuro, média formação e duração de espuma.
Aroma: Malte, vinho, toffee, ameixas secas, tostado. Complexo.
Paladar: Malte, toffee, caramelo, frutas vermelhas, condimentado, lúpulo. Complexo.
Excelente cerveja!

Para ver a degustação com a Westvleteren 6, clique aqui.
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