No último dia 26 de janeiro o Intervinos Vinhos e Bistrô realizou um evento pioneiro sobre a harmonização de cervejas e queijos na cidade do Rio de Janeiro. Comandado pelos irmãos Álvaro e Pedro Borgerth, o Intervinos é um restaurante gourmet recém-inaugurado em São Conrado, que, como o nome sugere, possui ampla carta de vinhos. Dispõe também de expressivo portfólio de cervejas especiais de microcervejarias brasileiras, além de várias importadas.As apresentações foram conduzidas por Mônica Pessoa, presidente da Associação Brasileira dos Degustadores de Queijo - ABDQ, há 25 anos atuando no segmento de queijos finos; Sergio Fraga, sócio da Cervejaria Fraga, cervejeiro artesanal e sócio-fundador da Associação dos Cervejeiros Artesanais Cariocas - ACervA Carioca e Luiz Guilherme Belmonte, o “LG”, zitólogo, dedicado ao estudo de cervejas desde 1985, cervejeiro artesanal e co-fundador da ACervA Carioca.
O evento foi restrito a convidados nesta sua primeira realização, e eu tive o prazer de fazer parte desta lista.
Após o brinde inicial com a belga Hoegaarden, a palestra começou abordando conceitos de harmonização, bê-á-bá da cerveja, queijos, e, claro, harmonizando bons exemplares de queijos nacionais com algumas cervejas.

O primeiro queijo apresentado foi o Feta, degustado junto com a alemã Franziscaner Kristall-Weiss. O Feta, que apresenta grande índice de gordura e sabor levemente acentuado, neste caso estava suave, combinando perfeitamente com a cerveja.
A seguir provamos o Asiago, um queijo de origem italiana, de textura mole e sabor adocicado. A primeira opção foi degustá-lo unto com a brasileira Eisenbahn Dunkel, e depois com a inglesa Newcastlle. Em ambos os casos achei que a cerveja de sobrepôs aos queijos, porém, nada demasiado.
Já com o Pecorino, um semi-curado de ovelha, também provado junto com as duas cervejas anteriores, o resultado foi muito bom. Houve um interessante equilíbrio de forças, permitindo que todos os sabores fossem bem compreendidos.
Seguimos com o Pyramide, queijo de cabra coberto por uma cinza chamada de Cendrè, com sabor intenso e prolongado. Junto com ele, um gorgonzola, queijo de mofo azul. Para harmonizar, a inglesa Fuller`s Golden Pride a a mineira Falke Ouro Preto. Com o Pyramide ambas perderam um pouco pela força do queijo. Já com o gorgonzola, ambas me fizeram acreditar que ali estava a melhor harmonização da noite!
A última rodada de queijos e cervejas teve a inglesa Strong Suffolk e a alemã Paulaner Salvator harmonizando com os queijos Brie e Camembleu. Este último, um queijo híbrido de mofo branco com mofo azul, figura dentre os meus prediletos. Ambas harmonizações foram prazeirosas, mas meu gosto pessoal não pode deixar de inclinar para a ótima Strong Suffolk com o Camembleu.

Acreditando que a bela noite gastronômica já havia chegado ao final, fui surpreendido com duas maravilhosas surpresas. A primeira delas, um queijo gorgonzola “maturado” por Mônica Pessoa em sua própria geladeira, me fez enxergar um novo propósito para a gaveta de frutas da minha. O resultado é divino! O gorgonzola adquiriu textura cremosa, com grânulos de sais, sabor apurado e marcante. A cerveja escolhida para harmonizar foi a La Trappe Quadruppel, que desenpenhou perfeitamente este trabalho. Finalizando a noite, uma harmonização de uma ótima mousse de chocolate com a premiada Colorado Demoiselle. Excelente!
O Intervinos contou ainda com o apoio da Balkonn Soluções em A&B, representante de importadoras e distribuidora de cervejas especiais, sediada no Rio de Janeiro.









