11 Setembro 2010

Starkbierfest Paulaner


Entre os dias 22 de fevereiro e 8 de março deste ano aconteceu a Starkbierfest da cervejaria Paulaner. A festa, que acontece todos os anos, marca o fim do carnaval e é regada a Paulaner Salvator, doppelbock da cervejaria. Durante as duas semanas de duração o pavilhão de festa da Paulaner recebe uma “mini oktoberfest”, onde musica e comida típicas são oferecidas com muita cerveja, seja a “starkbier”* Salvator ou a helles, sempre em canecos de 1 litro.

Banda ao fundo.

Neste ano aproveitei uma passada por Munique para ir a uma noite da festa. O clima é bastante animado, e poucos turistas são vistos no local. Trajados a caráter, os cidadãos de Munique lotam o pavilhão, dançando, comendo e bebendo bastante. Certamente é uma visita imperdível para o apaixonado por cervejas.

*Starkbier – Cervejas com com extrato superior a 16% são conhecidas na Alemanha por starkbiers, ou simplesmente, cervejas fortes. Costumam ter teor de álcool entre 6 e 10%.

Canecas de Salvator e comida típica.


09 Setembro 2010

Brouwerij De Ranke - Parte 1





Na última semana aportaram em terras brasileiras seis novas cervejas. Tratam-se de produções da Brouwerij De Ranke, uma cervejaria belga relativamente nova. Dos seis rótulos, provei três, sobre os quais comento abaixo. A descrição das cervejas foi extraída do release enviado pela importadora.


XX BITTER

A XX Bitter é feita com malte pale pilsner e muitas flores de lúpulo Brewery Gold e de Hallertau. Como o próprio nome sugere, essa é uma cerveja pesada, feita para ter um sabor forte de lúpulo e um amargor agressivo. Alguns dizem que a XX Bitter carrega todas as características da trapista Orval, multiplicadas por 11. E é exatamente isso que os brewers procuravam quando criaram a receita da XX Bitter. Esse rótulo se tornou uma referência e impulsionou a atual volta dos rótulos “lupulados” na Bélgica.

6,2% ABV

Aparência: Amarelo escuro, turva, com boa formação e duração de espuma.

Aroma: Cítrico, coentro, lúpulo intenso. Lembra o lúpulo de Poperinge.

Paladar: Leve doce, frutado, cítrico, coentro, amargor do lúpulo ao final bem balanceado.


KRIEK DE RANKE

A Kriek De Ranke é uma cerveja explêndida: seca, frutada, vermelho-rubi e delicadamente adocicada. É refrescante, mas, ao mesmo tempo, complexa o bastante para impressionar o mais exigente dos connoisseurs. Esse rótulo pode perfeitamente ser a melhor Kriek da Bélgica. E é certamente a mais rara, pois somente 1500 garrafas são feitas todos os anos.

Fato curioso: O surgimento da Kriek De Ranke rende uma história interessante. Tudo começou na época em que Nino e Guido (fundadores da De Ranke) faziam uma cerveja normal para um pub local. A cerveja era clara, amber pale ale, com 6,5% vol. e não havia nem sombra do sabor amargo de lúpulo que é marca registrada da cervejaria. Essa pale ale era fermentada por levedura emprestada da cervejaria Rodenbach, incluindo um tipo de levedura selvagem que normalmente é encontrada nas cervejas lambic tradicionais.

Sem o lúpulo para segurar a levedura selvagem, a cerveja rapidamente começou a azedar e os clientes do pub deixaram de consumi-la. Nino e Guido acabaram ficando com mais ou menos meio tanque do líquido, que continuou re-fermentando e ficando ainda mais azedo.

Os mestres-cervejeiros decidiram então seguir um antigo ditado: “when life gives you sour beer, make it Kriek” (“se a vida te dá cerveja azeda, que seja Kriek” – em flamenco, „kriek quer dizer cereja azeda). Até então, o modelo de Kriek que a dupla tinha em mente era a frutada Oud Kriekenbier, da Crombé brewery. Uma das preferidas dos conoisseurs.

7% ABV

Aparência: Vermelha, turva, com pouca formação de espuma.

Aroma: Cerveja, adocicado, com um “azedo” interessante.

Paladar: Cereja potente, com dulçor moderado, assim como o azedo e o acético. Notas de Madeira e baunilha.

Ótima cerveja!


CUVÉE DE RANKE

Essa cerveja é na verdade a base para a produção da Kriek De Ranke, mas engarrafada antes da mistura com as cerejas. É uma combinação da cerveja fermentada com a levedura selvagem da Rodenbach e a Giardin Lambic envelhecida. Isso faz da Cuvée De Ranke um rótulo azedo e lupulado. Uma cerveja elegante e, ao mesmo tempo, rústica, no melhor estilo antigo, que agora volta à moda na Bélgica e no resto do mundo.

Fato curioso: de acordo com o governo belga, a Cuvée De Ranke poderia ser chamada de “lambic” porque, apesar de não ter o sabor azedo tão acentuado, a cerveja contém mais de 5 vezes a quantidade de lambic de alguns rótulos comerciais que se auto-intitulam lambics. Mas, ao contrário destes, a De Ranke tem um grande respeito pelos produtores das verdadeiras lambics e preferiu não colocar o termo no nome da sua Cuvée.

7% ABV

Aparência: Amarelo claro, turva, pouca formação de espuma.

Aroma: Ácido acético moderado, brettanomyces, leve frutado, algo de couro.

Paladar: Acidez balanceada, leve frutado, algo de vinho branco, leve doce, azedo balanceado.

Ótima cerveja!

07 Setembro 2010

Bebendo em um Biergarten de Munique



Biergarten Chinesischer Turm cheio!

Conta a história que os Biergartens surgiram no século XIX, quando o Rei Ludwig I decretou que as cervejas deveriam ser produzidas em meses frios, para que o controle de temperatura da fermentação permitisse a qualidade das então recentes lagers claras. Para fornecer cervejas também no verão, as cervejarias construíram adegas às margens do Rio Isar. E para manter a temperatura dessas adegas ainda mais baixas plantaram castanheiras em cima delas, para que no verão sua vasta folhagem produzisse sombra e garantisse temperaturas mais amenas.

Com o passar do tempo essas adegas passaram a ser também local de consumo de cervejas, e logo o hábito de freqüentar biergartens entrou na rotina do cidadão de Munique. Hoje, apesar da lei não mais existir, muitos biergartens estão espalhados pela cidade.


Em março deste ano tive o prazer de beber alguns Maß (canecas de 1 litro alemãs) no Biergarten Chinesischer Turm, localizado dentro do parque Englischer Garten, o maior parque dentro de cidades da Europa. No Biergarten Chinesischer Turm cabem aproximadamente 7 mil pessoas, que tem a vista não só de belas castanheiras e do parque, mas também da torre chinesa que empresta o nome ao local. E um fato tornou esse dia ainda mais especial em minhas experiências cervejeiras: era o primeiro dia de sol do ano em Munique, onde todos comemoraram com um largo sorriso no rosto e um belo Maß cheio de boa cerveja!

Já no final do dia, a vista da Torre Chinesa.
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