19 Novembro 2010

200ª edição da Oktoberfest em Munique


Vista geral da Oktoberfest, com o parque de diversões ao fundo

Diz a história que a Oktoberfest começou em 17 de outubro de 1810, na festa de casamento do filho do Rei Maximilian I Joseph da Baviera, Ludwig, com sua amada Theresa, que reuniu cerca de 40 mil pessoas. Uma corrida de cavalos na Theresienwiesse (Prado de Thereza) foi o ponto alto da festa, em homenagem à noiva. Este é o nome da rua principal onde a festa acontece até hoje. Ao término da corrida foi decretado que uma festa semelhante, farta em comida e cerveja, aconteceria todos os anos. Assim surgiu a Oktoberfest.

Este ano o maior evento cervejeiro do mundo – a Oktoberfest – completou 200 anos. A tradicional festa de Munique, na Baviera alemã, que reúne 6 cervejarias da região, cada uma com um galpão dentro do parque temático, aconteceu entre 18 de setembro e 4 de outubro. Estima-se que 6,4 milhões de pessoas tenham passado pela festa, consumindo quase 7 milhões de litros de cerveja, cerca de 500 mil a mais que na edição anterior.

Apenas as 6 cervejarias de Munique – Spaten, Löwenbräu, Augustiner, HB, Hacker-Pschorr e Paulaner, podem vender suas cervejas na festa. E a cada ano estas cervejarias produzem sua oktoberfestbiers, cervejas especiais para o evento. Tratam-se de lagers mais potentes, com cerca de 6% de teor alcoólico. Trouxe ao Brasil uma garrafa de cada, sobre as quais comento abaixo.

Pela primeira vez visitei a Oktoberfest, na companhia de meus amigos Alexandre Bazzo e André Clemente. Foram dois dias de muita alegria, inebriados pela felicidade do povo alemão, que além de cultuar a cerveja, dá um show de cultura, com gastronomia típica, muita musica e dança. No vídeo abaixo, uma pequena mostra do que é a festa, dentro do pavilhão da HB, para o qual fomos gentilmente convidados pela importadora Bier und Wein.


Até 2011, Munique!

Fotos cervejas: Marcio Nel Cimatti

Spaten Oktoberfest

5,9% ABV

Aparência: Âmbar, límpida, boa formação e duração de espuma.

Aroma: Pão, malte e pouco lúpulo.

Paladar: Grãos, leve adocicado, final seco e pouco amargo.

Löwenbräu Oktoberfest

6% ABV

Aparência: Dourada, límpida, media formação e duração de espuma.

Aroma: Lúpulo floral e herbal com notas de pão e malte.

Paladar: Malte, pão, grãos e final com amargor equilibrado.

Boa cerveja.

Augustiner Oktoberfest

6% ABV

Aparência: Dourada, límpida, media formação e duração de espuma.

Aroma: Malte, lúpulo, leve picante.

Paladar: Malte, pão, bom corpo, final seco e amargo. Carbonatação media, fácil de beber.

A melhor das Oktoberfestbiers.

HB Oktoberfest

6,3% ABV

Aparência: Dourada, límpida, boa formação e duração de espuma.

Aroma: Malte e lúpulo.

Paladar: Malte, encorpada, final lupulado e seco.

Hacker-Pschorr Oktoberfest

5,8% ABV

Aparência: Cobre, límpida, boa formação e duração de espuma.

Aroma: Malte, toffee, caramelo, cítrico.

Paladar: Malte, caramelo, leve adocicado, amargor presente, final levemente seco. Carbonatação de media para alta, fácil de beber.

Boa cerveja.

Paulaner Oktoberfest

5,8% ABV

Aparência: Acobreada, límpida, boa formação e media duração de espuma.

Aroma: Malte, biscoito, leve lúpulo.

Paladar: Malte, leve caramelo, bom corpo e final levemente seco com notas de amargor e herbal.

Entrada pavilhão HB

Convites VIP HB

Banda HB

Pavilhão Hacker-Pschorr

Pavilhão Augustiner

18 Novembro 2010

Diário de Bordo: La Mouska


No ano passado conheci uma agradável loja de cervejas artesanais em Paris. Por lá o proprietário me indicou uma seleção de cervejas consideradas interessantes por ele. Dentre elas estava a La Mouska, uma ale produzida pela pequena cervejaria d’Oc, que tem adição de Muscat de Frontignan, uma espécie de vinho adocicado feito com uvas moscatel.

A cerveja apresenta notas frutadas com predominância para uvas e também adocicadas. É interessante, até pela adição do Muscat, mas não impressiona.

16 Novembro 2010

Diário de Bordo: Löwenbräu Triumphator


A tradução ao pé da letra do nome do estilo doppelbock seria bock dupla. Foi batizado assim por se tratar de uma versão mais poderosa do estilo bock. Conta a história que as doppelbocks foram criadas no monastério de Paulaner, no século XVIII, em Munique, para servir de alimento aos monges durante o período da quaresma, época onde os religiosos não podiam ingerir nada sólido. Então os monges desenvolveram uma fórmula com bastante carga de malte e baixa atenuação (sim, as cervejas não eram tão alcoólicas em sua origem) e solicitaram aprovação do Papa. Por conter pouco álcool e bastante açúcar, a cerveja não resistiu à viagem e chegou ao Vaticano azeda. O Papa, ao degustar a cerveja, aprovou seu consumo, acreditando que poucos conseguiriam beber aquele “vinagre”. Se a história é verdade ou não, o fato é que o estilo hoje é bastante difundido na cultura cervejeira alemã, sendo conhecido também por “pão liquido”. Uma doppelbock atual tem teor alcoólico entre 7 e 10%, notas bastante intensas de maltes escuros, como o melanoidina, que lembram bala toffee e caramelo, baixo amargor e leve frutado lembrando ameixas secas e uvas passas. Muitas marcas tem o final ATOR no nome.

Em março, durante uma breve visita a Munique, comprei a Triumphator, uma doppelbock produzida pela Löwenbräu, cervejaria que hoje faz parte do grupo Ab-Inbev. Fiquei impressionado com a qualidade da cerveja, a qual descrevo abaixo.

Löwenbräu Triumphator

7,6% ABV

Aparência: Marrom avermelhado. Boa formação e media duração de espuma.

Aroma: Malte intenso, com notas de chocolate, toffee e caramelo. Leve frutado, lembrando maça verde e ameixa seca.

Paladar: Similar ao aroma, com notas do álcool bem inseridas.

Boa cerveja.

13 Novembro 2010

Harmonizações Perfeitas: Trofie al Pesto e New Morning


No post onde contei minha visita ao Birrificio Del Ducato comentei que fui a Itália para um tour gastronômico. Na mala, além de algumas das cervejas do Del Ducato, trouxe também ingredientes típicos da Ligúria. A idéia era fazer algumas harmonizações gastronômicas entre cervejas e pratos típicos italianos. O primeiro que preparei foi um Trofie Al Pesto, um dos pratos que mais me marcou em Genova.

A receita fui buscar no blog de um dos caras que mais entendem da gastronomia da Ligúria aqui no Brasil, o chef Carlos Bertolazzi, no Zena Caffè. O blog, que se chama Cucinando, pode ser visto aqui. A massa, típica de Genova, é feita a base de semolina, e pode ser encontrada em boas importadoras aqui no Brasil.

Para a harmonização escolhi a New Morning – que também é chamada de Nuova Mattina– uma ale que tem como ingredientes camomila, gengibre e até mesmo pimenta verde! A cerveja é bastante refrescante e condimentada, e este foi o motivo pelo qual acreditei que combinaria com o pesto, um molho cru que apesar de apresentar um sabor marcante, também traz notas refrescantes, principalmente pelo manjericão. A combinação foi perfeita! Agora que as cervejas da Ducato estão chegando ao Brasil, vale correr para cozinha e testar a receita!

Molho Pesto: (para aprox. 600g de massa) – Receita de Carlos Bertolazzi

4 maços de Manjericão

200ml de Azeite Extra Virgem

3 colheres de Grana Padano Ralado (*)

3 colheres de Pecorino Ralado (*)

2 dentes de alho

1 colher de pinoli

1 colher de chá de sal grosso

Modo de Preparo:

Antes de começar o preparo do molho coloque o copo do liquidificador no freezer para que todo o preparo seja feito em baixa temperatura evitando a oxidação do pesto.

Adicione metade do azeite e os outros ingredientes, deixando as folhas de manjericão por último para que elas não entrem em contato direto com as lâminas do liquidificador.

Utilizando a função “Pulsar”, triture todos os ingredientes e adicione o restante do azeite. Reserve o molho com uma camada de azeite por cima para que ele não escureça.

Numa panela com abundante água fervente e sal coloque a massa para cozinhar, adicionando a batata em cubos pequenos e a vagem em pedaços de cerca de 1cm pouco antes de terminar o cozimento. Escorra a água do cozimento, guardando um pouco para ajudar a dissolver o pesto.

Em uma frigideira grande coloque o molho e adicione a massa com a batata e a vagem e um pouco da água de seu cozimento. Nunca aqueça o pesto. Sirva imediatamente.

11 Novembro 2010

Wäls Brut



Neste semana estive em Belo Horizonte para apresentar uma palestra cervejeira a clientes de um banco. No dia seguinte tratei de agendar meu vôo para o final da tarde, com a finalidade de rever os amigos da Wäls e conferir de perto as novidades que em breve estarão no mercado.

Chegando na fábrica logo pude conferir a nova engarrafadora adquirida por eles, que vai trazer mais qualidade às cervejas Wäls. No subsolo, duas surpresas: uma estação de tratamento de esgoto, mostrando a preocupação dos cervejeiros com a natureza, e o espaço onde será a futura cave para a Wäls Brut, cerveja do estilo champenoise que está sendo desenvolvida por José Felipe Carneiro, sócio e cervejeiro da Wäls.

Ao meu ver a Wäls Brut é a mais Brut (termo que define espumantes secos) dentre as cervejas produzidas pelo estilo champenoise no mundo. Bastante saborosa, ela apresenta bom perlage e tem o final bastante seco, como nos bons bruts. Notas de fermentação de vinho são percebidas, aliadas a um frutado intenso e dulçor de malte. A garrafa que provei ainda não havia concluído totalmente o processo de champenoise, faltando um pouco de maturação e o degorgement (processo de congelamento que elimina a borra acumulada no gargalo), e por isso trazia certa turbidez. Mas posso dizer que a cerveja já estava espetacular! Se tudo caminhar bem, em fevereiro estará no mercado.



José Felipe Carneiro - Sócio e cervejeiro da Wals, ao lado dos pupitres com a Brut

09 Novembro 2010

Patê Karmeliet


Este patê da Karmeliet é preparado com carnes suínas, miúdos e a própria cerveja, seguindo uma tradicional receita flamenca. Uma iguaria do mundo cervejeiro, que eu trouxe de uma de minhas idas a Bélgica e degustei no Beer Paradise de São Paulo, com uma magnum de Karmeliet 2010. Preciso dizer que foi perfeito?

08 Novembro 2010

Santa Mala dos Amigos: La Folie 2010

Produzida pela cervejaria americana New Belgium, a La Folie é uma ale que matura em barril de carvalho francês por cerca de três anos. Elaborada em parceria com o cervejeiro Peter Bouckaert, da cervejaria belga Rodenbach – criadora do estilo sour red- , essa ale traz muito das cervejas de fermentação espontânea desenvolvidas por Peter na Bélgica. Degustei a edição 2010, a última a ser lançada. A cerveja é bastante complexa, com notas de acidez e azedo bastante equilibradas.

La Folie 2010

6% ABV

Aparência: Marrom avermelhado, media formação e baixa duração de espuma.

Aroma: Notas de malte misturadas com acidez e toques acéticos. Frutado que lembra cereja e frutas vervelhas.

Paladar: Malte, leve adocicado, acidez e acético bastante equilibrados para o estilo. Frutas vermelhas, algo que lembra taninos, frutas secas. Final levemente seco.

Bela cerveja.

06 Novembro 2010

Diário de Bordo: Weihenstephaner Korbinian


Esta doppelbock produzida pelo centenário monastério de Weihenstephan, em Freising, Alemanha, é uma cerveja cheia de superlativos. Como a força alcoólica que o estilo pede, ela é encorpada e traz notas intensas de aromas e sabores. Por enquanto não chega ao Brasil.


Weihenstephaner Korbinian

7,4% ABV

Aparência: Marrom-rubi, boa formação e duração de espuma.

Aroma: Malte, toffee, açúcar mascavo, pão.

Paladar: Malte, caramelo, toffee, frutas secas, leve picante.

Boa cerveja.

03 Novembro 2010

Cebola Recheada de Bamberg

Uma das mais tradicionais tabernas cervejeiras de Bamberg, na Alemanha, a Scherlenkerla não é famosa apenas por suas lagers super defumadas. A gastronomia local também merece bastante destaque. Um dos clássicos de lá é a Bamberger Zwiebel, ou cebola de Bamberg. No final de setembro passei por lá e pude provar a iguaria. Reproduzi a receita fornecida no site deles fazendo algumas pequenas adaptações. A harmonização, nem preciso dizer, é com a própria Schlenkerla! A foto, tirada do celular, não traduz a delícia que a receita fica.

Ingredientes

4 cebolas grandes

250g de carne suína

100g de carne suína cozida e defumada

4 fatias grandes de bacon

250ml de cerveja defumada

Sal e pimenta-do-reino

Manjerona

Macis

3 ovos

2 pães de forma pretos cortados em cubos

Salsinha picada

100ml de cerveja defumada

50ml de demi glacê

Preparo

Descasque as cebolas e faça um corte tirando uma “tampa” delas. Retire a cebola do centro, deixando-a oca. Moa as carnes junto com a cebola retirada do centro. Misture as carnes moídas aos ovos, pães e os temperos. Cubra com a “tampa” da cebola. Coloque as cebolas em assadeiras altas com um pouco de água no fundo, e asse por 45 minutos em forno a 200°C. Reserve as cebolas. Em uma frigideira, frite as 4 fatias de bacon tomando cuidado para que não quebrem. Reserve. Na mesma frigideira, despeje o caldo que se formou na assadeira, o demi glacê e a cerveja defumada. Deixe engrossar. Sirva as cebolas com o bacon entre a “tampa”, o molho por cima e acompanhadas de purê de batatas.

Related Posts with Thumbnails