27 Janeiro 2011

Santa Mala dos Amigos: Infinium

Uma expertise cervejeira de 1000 anos. Este é o slogan da Infinium, cerveja lançada recentemente numa parceria da americana Samuel Adams (29 anos de atividade) e da alemã Weihenstephan (971 anos).

A cerveja vem embalada em garrafas de champagne, com tampa de rolha. O rótulo é silkado, e o visual da cerveja é muito bonito. Não se trata de uma cerveja produzida pelo método de champenoise, mas sim, segundo os cervejeiros, uma cerveja que lembra o espumante, graças a sua refermentação na garrafa com levedura belga. Alem disso, passa por dry-hopping usando lúpulos bávaros.

A Infinium usa apenas 4 ingredientes (água, malte de cevada, lúpulo e fermento), seguindo a Lei de Pureza da Baviera, de 1516. E este pode ser seu ponto fraco. O açúcar residual a deixa com um corpo viscoso e algo que lembra frutas passas, mas a deixando levemente enjoativa. Talvez se açúcar tivesse sido usado para atingir seus 10,3% de teor alcoólico a cerveja seria mais seca, lembrando mais um espumante e com maior drinkability.

Não se trata de uma cerveja ruim, pelo contrário. Seu aroma é frutado (uvas passas, pêssego, abacaxi) e com notas que lembram vinho branco. No paladar, mais frutas, mel, caramelo e um agradável cítrico, provavelmente vindo do lúpulo. O final é adocicado.

A Samuel Adams afirma que usou um método inovador, com patente já requerida, para produzir uma cerveja diferente de qualquer outra já produzida pela Lei de Pureza. Pelo que entendi, parte do mosto é adicionado novamente à tina de mostura e também ao tanque de fermentação, potencializando a composição de açúcares permitindo que ela atinja um maior teor de álcool. De qualquer forma, gostaria do comentário dos cervejeiros de produção, que certamente explicarão isso melhor do que eu!

No final das contas, é uma boa cerveja apesar de diferente do que eu imaginava.

21 Janeiro 2011

Harmonizações Perfeitas: DeuS e Canapé de Copa Prezato, Queijo de cabra, Geléia de Figo e um fio de Azeite Trufado.



No final do ano passado eu recebi o presente que mais me surpreendeu nos últimos tempos. Me ligaram para avisar que tinha uma encomenda me esperando no Melograno, e que ela deveria ser mantida resfriada. Chegando lá, encontro uma grande caixa preta, e logo ao abri-lá dou de cara com copa finamente fatiada e cuidadosamente acondicionada em uma embalagem plástica, resfriada com gelo seco.

Ao ler o bilhete que acompanhava a caixa, vejo que os “autores” da surpresa era o pessoal da Sadia, responsáveis pelo linha de frios Prezato. O bilhete dizia algo como: as melhores combinações da vida, assim como as que você cria. Continuo lendo as instruções e abro mais um compartimento da caixa. Encontro uma garrafa de DeuS, um queijo de cabra, geléia de figo e azeite trufado. Era esta a sugestão de harmonização proposta por eles. Para acompanhar, a leitura do livro do Papa das Cervejas Michael Jackson, Great Beer of Belgium.

Com a dica de harmonização dada, coube a mim apenas montar o canapé. Em um pedaço de pão levemente tostado, uma fatia de queijo de cabra, uma de copa Sadia Prezato, um toque de geléia de figo e um fio de azeite trufado, acompanhados de um bom gole de DeuS. Sensacional!

13 Janeiro 2011

Dois bons programas para cervejeiros!

Clique na imagem para ampliar

Dia 30 a chef Renata Cruz, do restaurante paulistano Amici, recebe a chef Mariana Valentini (Restaurante Valentina) e Cristiano Guilherme (Importadora Anunciada) para um belo almoço harmonizado com cervejas.

E em Curitiba, no próximo dia 17, acontece a noite italiana, com degustação das cervejas Del Decato. Para saber mais, acesse este link.

12 Janeiro 2011

Diário de Bordo: Löwenbräu Urtyp


Esta Helles fabricada pela Löwenbräu pode ser considerada o “protótipo” do estilo. Ao menos é esta a brincadeira que seu nome faz, já que a tradução de Urtyp é justamente protótipo. A cervejaria diz que a receita lembra o método tradicional de produzir os estilo, mas não fornece detalhes de quais seriam os métodos. O fato é que a cerveja é boa! A trouxe de uma viagem que fiz em março do ano passado, quando fui a Starkbierfest. Valeu o frete!

Löwenbräu Urtyp

5,4% ABV

Aparência: Dourada, leve turbidez, boa formação e duração de espuma.

Aroma: Malte (pão), lúpulo (herbal e leve cítrico).

Paladar: Malte bem presente, aliado a um refrescante amargor de lúpulo. Final seco. Carbonatação agradável.

Boa cerveja!

11 Janeiro 2011

Diário de Bordo: Feu Follet Grand Cru 2009


Le Feu Follet é o nome de um filme clássico francês, de 1963. Dirigido por Louis Malle, ele conta as últimas 48 horas de vida de Alain Leroy, um alcoólatra que deixa o hospital onde fazia tratamento para percorrer bares, em busca da reconstituição de seu passado.

Este foi o nome que a Brasserie de Garrigues, na França, escolheu para batizar sua ale defumada, a Feu Follet Grand Cru 2009. Não me pergunte por que, já que não entendo muito de cinema. Só sei que a cerveja é bem boa! Comprei esta garrafa na La cave à Bulles, loja especializada em cervejas artesanais francesas, em Paris.

Feu Follet Grand Cru 2009

7% ABV

Aparência: Marrom, leve turbidez, boa formação e media duração de espuma.

Aroma: Caramelo, toffee, leve amadeirado, defumado bem suave.

Paladar: Malte (chocolate, toffee, caramelo), leve defumado, frutas secas.

Boa cerveja.

10 Janeiro 2011

Santa Mala dos Amigos: Brooklyn Sorachi Ace

Parte de uma série limitada de cervejas que a Brooklyn produz, chamadas “Brewmaster’s Reserve”, a Sorachi Ace é uma saison produzida apenas com um tipo de lúpulo, o Sorachi. Este lúpulo, desenvolvido por japoneses, apresenta notas cítricas intensas e frutado moderado. Combinado com a levedura belga da Brooklyn, produz uma cerveja única, que ainda passa por dry-hopping (mesmo lúpulo) e é refermentada na garrafa com levedura para espumantes. Infelizmente a Sorachi Ace não veio ao Brasil, mas tive a oportunidade de provar uma das garrafas que o importador trouxe na “Santa Mala dos Amigos”!

Brooklyn Sorachi Ace

7,6% ABV

Aparência: Amarela, leve turbidez, boa formação e duração de espuma.

Aroma: Cítrico, limão, grapefruit, compota de frutas, leve adocicado, condimentado.

Paladar: Doce inicial, condimentado, cítrico, frutado, amargor presente e bem inserido, final seco.

Bela cerveja!

07 Janeiro 2011

Harmonizações Perfeitas: Lagosta e Camarão na Grelha com Dry Stout


Frutos do mar como camarão e lagosta funcionam muito bem com cervejas do estilo dry stout. A cerveja apresenta amargor de lúpulo suficiente para cortar a sensação de gordura tanto do camarão como da lagosta, e ainda traz uma sensação de cremosidade à boca, que combina bem com a carne de ambos. Seu corpo leve combina com a delicadeza da carne. No modo de preparo que escolhi para esta harmonização, ainda tivemos mais um item de combinação: as notas tostadas com as notas de fumaça vindas da churrasqueira. Ficou divino!

Aproveitei o final do ano na praia para apresentar algumas novas opções aos tradicionais churrascos de minha turma. Apesar de parecerem proibitivos, o preço de bons camarões e caldas de lagosta não são tão altos, se comprados em bons fornecedores.

O preparo é relativamente simples. Nas lagostas, deixei um lado da carne exposta e o outro protegido com a casca. Temperei com flor do sal, um leve toque de pimenta-do-reino e manteiga com ervas. Elas devem assar a cerva de 20cm da brasa e o ponto é relativamente rápido, cerva de 4 minutos assando com a casca para baixo e 1 com a carne para baixo.

Já os camarões (Rosa GG), optei por deixar a casca e tirar apenas a cabeça. Cortei a casca por cima e por baixo para a limpeza e a aproveitei para “abrigar” meu tempero, uma manteiga de ervas, pimenta-do-reino e flor do sal, semelhante ao da lagosta. Os mesmos 20cm da brasa (é importante ter brasa, e não chama) e 3 minutos de cada lado.

Bom apetite!

05 Janeiro 2011

As Empoeiradas: Nieuw Ligt Grand Cru 2005



Não sei se tecnicamente isso poderia ser considerado uma tradição, mas para mim já é! Tenho começado os últimos anos bebendo cervejas raras e muito especiais, como uma forma de ganhar energia para mais um ano cervejeiro. Em 2008 comecei com uma Westvleteren 8 e em 2009 a Westvleteren 12. Já no ano passado a escolhida foi a Samuel Adams Utopias, safra 2009.
Para este ano escolhi uma cerveja que guardo em minha adega há alguns anos. Durante uma viagem cervejeira a Holanda, em 2007, fui a uma loja especializada em cervejas chamada Cracked Kettle. Lá o vendedor me sugeriu uma cerveja especial para guarda, que deveria ser bebida por volta de 2010. Tratava-se da Nieuw Ligt Grand Cru 2005, uma potente Barley Wine com 12% de teor alcoólico. Produzida pela cervejaria De Hemel, a Nieuw Ligt Grand Cru é preparada em lotes bem pequenos, e usa algumas especiarias para agregar sabor a bebida. Recomenda-se ao menos 5 anos de guarda antes do consumo, e foi justamente o que fiz!
Nieuw Ligt Grand Cru 2005
12% ABV
Aparência: Marrom, turva, baixa formação e pouca duração de espuma.
Aroma: Maltes, cereja, frutas vermelhas, licoroso, frutado (banana, frutas secas) e leve condimentado.
Paladar: Doce inicial, com notas de toffee e caramelo, chocolate, uva passa, ameixa seca, álcool, final seco. Bastante complexa.
Excelente cerveja!
As empoeiradas é uma seção do blog onde degusto cervejas de minha adega, que eu mesmo deixei envelhecer ou já comprei envelhecidas. 

03 Janeiro 2011

As Melhores Cervejas de 2010


2010 foi um ano bastante corrido. Tive muitos projetos cervejeiros, muita dedicação ao meu bar, o Melograno, algumas viagens, enfim, muito trabalho. E a conseqüência disso foi um baixa atualização deste blog. Mesmo com algum atraso, publico a minha lista das melhores cervejas do ano, assim como fiz em 2006, 2007, 2008 e 2009.

Vale evidenciar que trata-se de uma lista pessoal, com cervejas que fizeram parte de meu dia-a-dia durante o ano ou me surpreenderam de alguma forma. Assim como em outros anos, limito apenas a produções nacionais.

Bamberg St Michael

A Cervejaria Bamberg se consolidou como uma das melhores cervejarias do Brasil em 2010. Seus prêmios conquistados nos últimos anos certamente evidenciam isto. Porém, a inventividade e competência de Alexandre Bazzo, sócio e cervejeiro da Bamberg, é o que em minha opinião traz o destaque da cervejaria. O Bazzo é um dos maiores conhecedores de cervejas do Brasil. Não só em estilos, mas em produção e degustação, o que faz com que suas cervejas melhorem a cada dia que passa. E faz também com que cervejas como a St Michael -uma weizenbock maturada em carvalho e refermentada com levedura para espumantes- seja lançada no Brasil.

Colorado Indica

Continuo achando a Indica uma das melhores cervejas do Brasil. Neste ano ainda tivemos uma versão “turbinada” dela, a Double Indica, que me fez gostar ainda mais desta cerveja, que já é uma tradição brasileira. Toda semana tenho que beber minha Indica!

Heineken

Pensei muito antes de colocar esta cerveja na lista, por se tratar de uma produção de larga escala, ao contrário de outras que aqui figuram. Mas o fato é que a Heineken é um ótimo custo beneficio, e em muitos momentos deste ano foi a minha escolha, principalmente em churrascos com amigos, seja em lata, long neck ou em seu ótimo barrilete. E por se tratar de uma cerveja diferenciada dentre as grandes, mantendo uma fórmula “ousada” para padrões macro cervejeiros, a escolho com uma das melhores de 2011.

Biertruppe Vintage N°1

Um dos símbolos cervejeiros do ano foi a burocracia e falta de conhecimentos dos órgãos públicos para a liberação de novos produtos. A Biertruppe Vintage N°1, produzida pela Biertruppe – da qual tenho orgulho em fazer parte- foi uma das vítimas destas negativas de registro. Uma pena, pois certamente ela teria chegado aos copos de muitos apaixonados por cervejas, como nós da Biertruppe. Entra na lista, mas só por que existiu um tal de VNTG por ai!

O melhor do ano foi ver a quantidade de boas cervejas que vem surgindo. Sejam elas importadas ou nacionais, o fato é que o mercado de cervejas especiais está se consolidando, e hoje já não soa como uma utopia de meia dúzia de malucos, como parecia em 2006, quando publiquei minha primeira lista por aqui.

Feliz 2011!

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